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Começar tarde

Luís Filipe Silva
Monitor de Kyubudo
Texto apresentado no Simpósio Nacional de Artes Orientais

Tendo praticado exercício físico ao longo da minha vida, confesso que essa prática não foi no passado tão regular como deveria ter sido.
Até aos 26 anos pratiquei natação, ginástica, ciclismo e atletismo. Depois gradualmente por diversas razões fui abandonando estas práticas e mergulhei num vazio de mais de 10 anos.
 

Ao longo dessa década a decadência física foi-se acentuando, aumento de peso, cansaço ao mínimo esforço, dores nas pernas, costas e articulações, problemas de circulação com inchaço das pernas, etc.

Também a ausência de exercício e uma vida de stress, má alimentação e excesso de trabalho me começou a afectar mentalmente, notei-me cada vez mais instável emocionalmente, com depressões e uma série de problemas associados, tonturas, dores de cabeça, tiques nervosos, arritmias etc.

Resolvido a voltar a sentir-me como antigamente, aos 37 anos recomecei a praticar natação, um dos exercícios do passado que mais gostava, mas também pela possibilidade de controlar completamente o esforço numa situação de ausência de peso sobre as costas e articulações.

A minha ideia inicial era ir nadando o máximo que pudesse durante uma hora. Nos primeiros meses apenas conseguia fazer algumas centenas de metros, mas os progressos foram notórios e contra as minhas expectativas ao fim pouco mais de um ano tinha igualado o desempenho da minha juventude, hoje, 4 vezes por mês, faço 2500 metros em 1 hora e 20 minutos e espero progredir.

A natação ao longo destes anos modificou o meu corpo e a minha mente e fez-me acreditar que é possível recuperar, que a idade e os anos de paragem não são uma barreira, apenas a vontade o é.

Tendo a prática regular da natação aumentado a minha confiança na capacidade física e particularmente na vontade de praticar e continuar, começou a amadurecer a ideia de fazer mais qualquer coisa, praticar outras modalidades ainda mais exigentes e de preferência orientado por alguém.

A ideia inicialmente não era praticar Karate (ou qualquer arte marcial), mas sim pura e simplesmente exercício físico.

Por comodidade e simpatia verifiquei na SFRA que modalidades haviam. Por um motivo ou por outro as fui excluindo. Algumas por terem uma orientação praticamente destinada a um público feminino (Dança jazz, ballet, aeróbia, etc.) outras (Hidroginástica), por estarem demasiado próximas da natação, único exercício físico que praticava então e por último porque simplesmente não me interessavam (capoeira, ginástica, etc.). Ainda outras por as achar mais ligadas ao relaxamento e bem-estar como a Yoga que já tinha praticado na minha juventude e o Tai Chi Chuan, que conhecia de filmes e documentários verificando que era, como a Yoga, praticado por qualquer pessoa de qualquer idade.

A única que me pareceu convidativa, e suficientemente uni sexo foi o (Karate, Kyubudo). Aqui surgiram as primeiras dúvidas, tenho 42 anos, terei passado a idade de poder praticar? Haverá lugar para mim entre tanto jovem? Conseguirei um horário pós laboral que me permita treinar? Será demasiado violento e em vez de melhorar o meu corpo poderei contrair lesões, ficar magoado? E que nome é este, Kyubudo? Que karate é este? Pensava que só havia um!

A noção simplista que eu tinha das artes marciais, excluindo o Tai Chi Chuan, era de que era coisa para jovens e para combates e torneios de competição. Visão essa completamente decorrente dos filmes e da televisão e construída dentro da minha cabeça sem que ela alguma vez tivesse sido posta à prova.

O meu contacto com o Kyubudo viria a modificar todos os meus receios e preconceitos e a dar um novo entendimento ás diversas artes marciais e como se completam. Também comecei a ganhar uma nova perspectiva da minha mente e do meu corpo, passando a estar mais consciente de mim próprio e dos que me rodeiam.

Vamos então ver porque meio esta transformação se começou a operar: Entrei para o Kyubudo em Setembro de 2003 e fui gradualmente percebendo que aquela arte marcial não tinha nada a ver com o que eu pensava que conhecia.

Consegui com alguma dificuldade confesso, conciliar as exigências da vida familiar e especialmente laboral, com a prática. Comecei a interiorizar novos conceitos e a tomar contacto com técnicas e práticas desconhecidas mas que se revelaram verdadeiros tesouros por explorar.

Esta tomada de consciência foi tão forte que nem uma lesão grave e dolorosa contraída durante um treino me fez desistir de treinar, tinha então apenas 2 meses de prática. 20 dias após ter deslocado um joelho e ainda com dores voltei a treinar e a recuperação penso que têm sido mais rápida do que se tivesse ficado parado.

Hoje passados quase 9 meses sinto-me e penso que sou diferente para melhor do que era antes de começar. Pratico Karatedo, Gym Figting, Kenjutsu, Tai Chi Chuan, Chi Kung e Método Hida. Espero continuar desde que não me falte a vontade, porque a idade essa só conta para a cronologia, não para as Artes Marciais.

 


 
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